
Prisma
A primeira lembrança
União e origem
Prisma conhecia cada nascente de Drákora, mas já não sabia o nome de quem morava junto delas. Passara tanto tempo protegendo o Coração que deixara de visitar o mundo que ajudara a criar.
Quando a névoa chegou ao santuário, ouviu uma voz pequena no portão. Era uma menina que procurava a estrada de casa. Trazia um pão embrulhado e lembrava apenas que alguém a esperava.
Prisma poderia ter apontado o caminho. Em vez disso, abaixou-se para que ela subisse em suas costas e a acompanhou.
Encontraram uma ponte partida. Da outra margem, uma mulher chamava pela filha. Prisma deitou seu corpo comprido sobre o vão. A menina atravessou, abraçou a mãe e dividiu o pão com ela.
Naquele instante, uma de suas escamas voltou a brilhar.
Prisma compreendeu por que seu sopro falhara diante do cristal. Os caminhos não precisavam apenas de luz. Precisavam de encontros.
De volta ao santuário, deixou o portão aberto. Preparou dez lugares ao redor do Coração e esperou pelos guardiões. Pela primeira vez, não se sentou à cabeceira: escolheu um lugar no círculo.
Quando lhe perguntassem quem havia criado Drákora, contaria o começo. Quando lhe perguntassem quem a mantinha viva, teria dez nomes para responder.
Uma cor pode iniciar uma história. O encontro entre elas permite que a história continue.










